sábado, 3 de setembro de 2011

Como saber se seu vizinho é um hipster [Roupas Edition]


Tinha um fashionista que comprou uma boina num brechó numa rua que ninguém passava, imaginando como ela combinaria com aquela jaqueta e aquela camiseta e uma calça. Num dia de frio, resolveu estrear sua 'nova' invenção naquela balada super descolada, evocando aquele ar de 'camponês do País Basco'. Por mais estranho que tal cena inusitada parecesse, de um modo estranho, ela fazia sentido, combinava, parecia ter um propósito.

O fashionista, antenado em moda, que lê revistas especializada, vai à desfiles e identifica os diferentes cortes de roupas dos estilistas, não inventou a ideia da boina, na verdade quando ele viu a boina ele lembrou que viu no desfile de alguma super marca de moda um dos modelos usando algo na cabeça, não era uma boina comum (assim como qualquer roupa de desfile), mas a lembrança foi imediata, ele, enfim, havia entendido a ideia e a transformou em realidade.

- - - - 2 meses depois - - - -

A menina tinha uma festa pra ir. Mas, não era uma festa qualquer, ela iria sair, pela primeira vez, com o 'gatinho' da faculdade que ela já "dava em cima" há 4 meses (ela vai negar essa história e dizer que, no fundo, era sempre ele que estava atrás dela).
Abriu o guarda-roupa e viu que não tinha nenhuma roupa (foi o que ela gritou ao olhar o guarda-roupa que não cabia mais nada -- Saramago chamaria isso de uma 'cegueira de roupa'). Ela acessou a Internet Banking e viu que estava "folgada" naquele mês com o cartão de crédito. E, quase como um teletransporte, lá estava ela no Palácio do Gênio Realizador de Todos os Desejos (de consumo), o Shopping.

Não demorou muito até ela se apaixonar por uma peça, reproduzida várias araras de roupas, onde apenas as cores mudavam (pouco). Era uma linda boina colocada, estrategicamente, acima de um casaquinho que lembrava lã e (pasmem) combinava na cor. Pronto, logo ela já estava no caixa da C&A pagando sua nova aquisição (que dentro de algumas semanas ou dias se tornaria "invisível").
Agora, ela só precisava de um sapato.

- - - - 6 a 8 meses depois - - - -

"Era um hipster, que como eu, amava Two Door Cinema Club e Rolling in the Deep".
Quando usar boina ficou brega o hipster ressuscitou a moda - mas só pra ele. O foco do hipster não é criar moda, pelo contrário, ele não quer ver ninguém reproduzindo sua 'criação' 'original'. Logo, a melhor estratégia é escolher usar aquilo que saiu de moda há pouco tempo. E mais! Ele não vai combinar essa peça ou esse acessório, ele vai pegar TUDO que saiu de moda há pouco tempo e colocar uma em cima da outra peça. Lógico que ninguém vai copiar aquilo, tá ridículo, não?
Pois é, nem todos concordam com isso.

Engraçado é ver os hipsters que não saíram do closet ainda, ou seja, são hipsters, mas juram de pés juntos que são fashion. E você jura de pés juntos que já viu um hipster com aquele look lá na Baixa Augusta. Pode ser chamado também de Hipster Péssimo: todo mundo sabe que ele é, mas ele não assume que é, apesar de fazer 100% dos pontos naqueles testes da Capricho, do tipo "Descubra se você é um Hipster".
Se as pessoas já gostam de falar mal de coisas que saíram de moda, imagina uma pessoa que agrega tudo isso numa 'montagem' só? E o Judas a ser malhado.

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Podemos culpá-los por algo?
Talvez, se alguém fizer uma pesquisa, cheguemos a conclusão de que os Hipsters fazem bem ao Meio-Ambiente, pois eles são como os recicladores de modas acabadas. É como se colocassem mais um ser na cadeia alimentar da moda. É como se alguém dissesse "Hey, não jogue esse resto de comida fora, eu sei que ninguém mais vai comer , mas eu descobri um jeito de reaproveitá-la".

As roupas ganharam uma vida extra. Então, surge a pergunta: quem vai se alimentar da "morte modal" dos hipsters?

Próximo post: Como saber se seu vizinho é um hipster [Músicas Edition]


Esse texto foi escrito ao som de The Middle-East - Blood



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Só que ao contrário

Nesse final de semana resolvi fazer nada de diferente:
- Comprarei um fardinho da cerveja mais barata que tiver no mercado e deixarei no freezer até 'trincar';
- Lavarei o carro na rua, sem camisa, porque não posso molhar o quintal. Lógico, sem camisa, pra mostrar o que andei cultivando na academia - E, tudo isso, com o rádio 'torando' em algum sertanejo universitário de qualidade;
- Verei o que a mulherada aprontou de rango e, depois de jogar os pratos na pia, tirarei uma merecida dormida;
- Pro 'esquenta' eu vou comprar umas latinhas de energético - do mais barato - e juntar com uma vodka Giejsfmoesfosky pra dar aquela acordada;
- Passarei na casa dos meus brothers pra irmos pro posto de combustível mais lotado e mais barulhento, onde mostrarei que meu som é o mais pauleira dentre os carros rebaixados;
- Vamos subir na caçamba do carro, dançar, beber e cantar as 'cocotas' e quem sabe arranjar uma gata pra levar pra night;
- Depois de encher a cara, voltarei pra casa, dar mais uma dormida;
- Acordarei pra ir pra balada, aquela que toca música sertaneja universitária remixada, com direito a iluminação de luz negra e estroboscópica;
- Claro que nessa balada vai dar muita mulherada, porque elas são VIPs até às duas da madruga;
- Vou 'tacá o terrô' na mulherada;
- E no final da noite, voltarei pra casa, bêbado, dirigindo meu possante em velocidades nunca vistas antes;
- Dormirei até as 16 horas do Domingo;
- Acordarei e levarei minhas 'loras trincando' pro posto;
- 23 horas tô em casa, me preparando pra mais uma semana...

Farei tudo isso, só que ao contrário.


Esse texto foi escrito ao som de Arctic Monkeys - Dancing Shoes

3 Times And You Lose

Já tentei dois blogs, nenhum vai pra frente. Um virou diário pessoal, bastante desatualizado e o outro um projeto abandonado por motivos de força menor. Então, essa é a terceira e última tentativa, se eu não fizer sucesso, eu desisto e vou tentar fazer fama de uma maneira idiota (como tantos fazem e conseguem).

E isso é algo bem constante se você "emprestar a atenção", é algo inversamente proporcional, ou seja, quanto pior algo for, mais sucesso ele fará. Logo, uso esse pensamento como uma desculpa para o meu 'fracasso'(se não faço sucesso é porque sou bom - e tenho dito).

É um conforto saber que num mundo tão banal e besta, eu me destaco, só que ao contrário.

Tendo feito essa introdução, apresento o meu novo (e último blog): Humor Sabor Cítrico, pra poder falar mal do que eu quiser, meter a boca mesmo, utilizando da minha habilidade de criticar racionalmente e apoiado em fatos as coisas que sou obrigado a (vi)ver.

Eis que vos apresento o Senso Incomum.


Comentem, falem mal, divulguem ou não leiam. O problema é de vocês.


Esse texto foi escrito ao som de Travis - 3 Times And You Lose